Porque o Êxodo em massa ao Protestantismo?
Por John Vennari
Quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil em Maio passado (2007), havia notícias em todo o mundo de que um dos problemas mais críticos que ele deveria abordar na América do Sul era o do êxodo em massa dos Católicos para diversas formas de Protestantismo.
Na época, os jornais reportaram:
1) Os ministros Protestantes superavam na proporção de 2 para 1 os padres Católicos;
2) A Igreja esperava de 300 a 400 mil pessoas para a Missa ao ar livre do Papa Bento no Santuário de Aparecida, mas somente 150 mil compareceram;
3) Por volta do mesmo horário, os Protestantes faziam seu evento anual “Marcha para Jesus”, ao qual compareceram 1.5 milhões de pessoas;
Creio que foi o Cardeal Hume, da Sagrada Congregação do Clero, que disse que na América do Sul havia uma hemorragia de Católicos para o Protestantismo.
O que desejo fazer esta manhã é abordar o que acredito serem algumas das razões deste êxodo em massa estar acontecendo, como também, com todo respeito, dar algumas recomendações do que pode ser feito sobre isso.
Com relação às razões: vou listar três razões, mas não necessariamente em ordem cronológica.
A primeira razão:
Temos que reconhecer que a América do Sul tem sido alvo do Protestantismo desde os anos 50. O Padre John Harden, um teólogo Jesuíta americano, conta que em 1957, participava de um encontro do Conselho Mundial de Igrejas, em um cargo oficial para o Vaticano. Nessa reunião, as lideranças do Conselho Mundial de Igrejas incitavam os missionários Protestantes a focar agressivamente a América do Sul com uma campanha de proselitismo a fim de aumentar as conversões. O CMI estava ciente de que a América do Sul era predominantemente Católica, e o objetivo do CMI era romper a força da Igreja Católica na América Latina.
A segunda razão:
O Sr. Nelson Rockfeller, o multi-milhonário globalista e humanista, publicou uma reportagem sobre a América Latina em 1969/1970. Nessa reportagem Rockfeller diz que na América Latina a Igreja Católica NÃO era uma aliada dos Estados Unidos – e que “nós” deveríamos portanto promover várias seitas Evangélicas não-Católicas na América Latina.
E acreditem; Rockfeller foi capaz de fornecer enormes quantias de fundos para espalhar o Protestantismo na América Latina.
Portanto, essas duas informações indicam que a América Latina foi alvo de uma campanha agressiva, organizada e rica do proselitismo Protestante para enfraquecer a Igreja Católica; e para afastar almas da verdadeira Fé.
E isso nos leva à terceira razão:
Temos que reconhecer que essa campanha não poderia ter sido bem sucedida se a Igreja Católica na América do Sul opusesse forte resistência; se o clero e os laicos tivessem simplesmente desenrolado a bandeira da Igreja e travado sua própria campanha, corajosa de contra-reforma.
Mas algo aconteceu que impediu que muitos de nossos Clérigos influentes abandonassem o conceito de Igreja militante; que muitos de nossos Clérigos tivessem vergonha de se engajarem em atividades de contra-reforma. E o mais significativo evento que efetivamente matou a verdadeira militância Católica, que matou as atividades contra-reforma, e que deixou a Igreja aberta aos saques do Protestantismo foi o Vaticano II e o novo espírito do ecumenismo.
Este novo espírito de colaboração ecumênica com o Protestantismo efetivamente esmagou as trincheiras de proteção Católica contra os erros do Protestantismo, e os erros do naturalismo. Esse novo espírito também acabou com os pronunciamentos dos Anáthemas. Não queremos condenações, mas sim, queremos simplesmente promover os aspectos positivos da Fé.
Na verdade isso é contrário ao espírito do Próprio Cristo. Sabemos, ao ler o Evangelho, que Nosso Senhor não fez só um ou outro: Ele fez ambos: Ele pronunciou a verdade e a bondade da Fé Católica. Ele disse aos seus apóstolos: “Vão em frente e preguem a todas as nações, batizando-as em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Mas ele também ameaçou os excomungados: Aquele que acreditar e for batizado será salvo; aquele que não crer será condenado”.
O falecido Dr. Romano Amerio, grande teólogo do Vaticano II, que era admirado pelo Papa Bento XVI, disse o seguinte a respeito do novo espírito de não condenação dos erros:
“O estabelecimento do princípio da misericórdia em contrapartida ao da severidade, ignora o fato de que na mente da Igreja, a condenação dos erros é em si própria um ato de misericórdia, uma vez que, apontando os erros, aqueles que os estão cometendo são corrigidos e outros serão impedidos de caírem neles”.
Agora, o novo espírito ecumênico teve um efeito danoso na catequese Católica. Desde a época do Conselho, era considerado ofensivo aos Protestantes ensinar que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja. Como resultado, uma das primeiras coisas que desapareceu do treinamento de nossos jovens Católicos, foi a sólida apologética Católica de que só a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja estabelecida por Nosso Senhor.
E, como resultado, temos agora duas gerações completas de Católicos a quem – de maneira geral – não foram ensinadas esta verdade. E atrevo-me a dizer: temos agora duas gerações completas de seminaristas a quem não foram ensinadas esta verdade.
E, com sua permissão, eu falo com experiência. Nasci em 1958. Estudei 13 anos em escola Católica – ou seja; jardim da infância, primário e colegial. Estava na escola durante o Vaticano II e as reformas subseqüentes. Nunca ouvi falar em Apologéticas Católicas até os 22 anos de idade.
Na escola nunca recebi ensinamentos que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo.
E lamento dizer que, se tivesse acreditado no que me foi ensinado em 12 anos de escola Católica, já teria perdido minha fé há muito tempo. Foi-nos ensinado um evangelho mais social: um evangelho suave e efeminado, sem dentes nem espinha dorsal.
Conheci a minha fé primeiramente através de livros antigos que meus pais tinham em casa, e depois através de intensas pesquisas e estudos.
Portanto, com o novo espírito ecumênico que foi lançado pelo Conselho, muitos Clérigos não mais se opuseram ao Protestantismo, não mais ensinaram que a Igreja Católica era a única e verdadeira Igreja estabelecida por Nosso Senhor. E, convenhamos, sem essa educação e treinamento firmes, os laicos foram abandonados sem as defesas que precisavam para resistir ao agressivo avanço do Protestantismo.
Uma Vibrante Campanha de Contra-Reforma
Agora, como recomendação do que pode ser feito, acredito que o que necessitamos desesperadamente é de uma forte campanha de ensinamentos Católicos aos laicos, que reitere a verdade de maneira descompromissada, de que a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja estabelecida por Cristo, e que um Católico que abandona a fé Católica para seguir uma seita Protestante não salvará sua alma. O Católico que abandona o Catolicismo pelo Protestantismo poderá – de maneira objetiva – cair sob os solenes anátemas do Concílio de Trento.
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